Há momentos em que uma pequena luz é suficiente para iluminar uma grande preocupação. Aconteceu comigo há poucos dias. Depois de muitos anos dirigindo um carro simples, consegui comprar um HB20 usado. Para mim, não era apenas um carro mais novo. Era a realização de um objetivo e um símbolo de uma nova fase da vida. Nos primeiros dias, tudo parecia perfeito. Mas logo vieram os primeiros engasgos. A oficina trocou velas e uma bobina. O problema desapareceu e pensei que estava resolvido. Cinco meses depois, os engasgos voltaram. Desta vez, minha mente acelerou mais do que o carro. Comecei a imaginar os cenários mais caros e complicados. Seria o câmbio? O motor? A transmissão? Os bicos? Cada hipótese parecia mais preocupante do que a anterior. Um primo sugeriu colocar gasolina de outro posto. Fiz o teste e, por alguns dias, o carro voltou a funcionar normalmente. A esperança reapareceu. Até que, ao sair da garagem, os engasgos voltaram. No caminho para casa, acendeu a luz da injeção. Curio...
Há um momento curioso em toda xícara de café. Ela chega quente. A fumaça sobe lentamente. O aroma ocupa o ambiente antes mesmo do primeiro gole. É quase um convite para interromper o que estamos fazendo. Nem sempre aceitamos. Às vezes o telefone toca. Uma mensagem precisa ser respondida. Um compromisso parece mais urgente. "Depois eu tomo." O café espera. Quando voltamos, a fumaça já desapareceu. O aroma já não é o mesmo. O primeiro gole ainda aquece. Mas não como antes. É curioso como quase ninguém reclama disso. Apenas aceita que o café esfriou. Talvez porque saibamos que algumas coisas não esperam. O calor de uma xícara. A luz do fim da tarde. O sorriso de uma criança. O silêncio de quem resolveu apenas fazer companhia. Existem momentos que não fazem barulho quando passam. Eles simplesmente deixam de estar ali. Talvez seja por isso que as melhores conversas raramente aconteçam porque foram marcadas. Elas surgem quando alguém decide deixar a xícara sobre a mesa por alguns i...