Vamos imaginar aquela árvore da rua onde você mora.
Talvez você não saiba quando ela foi plantada. Também não saiba quem teve a ideia de colocá-la ali. Apenas sabe que, durante muito tempo, passou por ela sem realmente percebê-la.
Ela cresce naquela calçada.
Suas raízes encontraram espaço onde parecia não haver espaço. Seu tronco se ergue firme, enquanto os galhos procuram a luz sem pedir licença.
Todos os dias, pessoas passam apressadas ao seu lado.
Algumas caminham olhando para o celular. Outras seguem preocupadas com o trabalho, com os compromissos ou com o relógio.
Poucos levantam os olhos.
Poucos percebem que aquela árvore continua ali.
Em silêncio.
Sem reclamar.
Sem chamar atenção.
Talvez quem mais a perceba seja o morador da casa em frente.
Ele varre as folhas que caem sobre a calçada, limpa as flores secas e, às vezes, vê mais o trabalho que a árvore lhe dá do que os benefícios que ela oferece.
É curioso como isso também acontece na vida.
Com frequência, prestamos mais atenção ao incômodo do que aos benefícios. Enxergamos as folhas caídas, mas nos esquecemos da sombra nos dias quentes, do abrigo para os pássaros e da beleza silenciosa que ela acrescenta à rua.
A árvore continua fazendo o que sempre fez.
Oferece sombra a quem precisa descansar por alguns instantes. Abriga pássaros que encontram um lugar para pousar. Suas folhas dançam com o vento, mesmo quando ninguém está olhando.
Então pensei que talvez existam pessoas assim.
Gente que transforma os lugares por onde passa sem fazer alarde. Pessoas que acolhem, escutam, ajudam e permanecem firmes, mesmo sem receber aplausos.
Vivemos em um tempo que valoriza aquilo que aparece.
Mas a árvore da calçada ensina outra coisa.
Ela mostra que nem tudo o que é importante precisa ser visto por muitos.
Às vezes, basta continuar crescendo.
Continuar oferecendo sombra.
Continuar florescendo no lugar onde Deus nos plantou.
Na próxima vez que você passar por uma árvore na calçada, talvez ela continue exatamente como sempre esteve.
A diferença poderá estar apenas no seu olhar.
— Mar

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