Alguns ficam sob a sombra das árvores. Outros passam o dia inteiro debaixo do sol. Há os que recebem pintura nova de tempos em tempos e os que carregam marcas do tempo, da chuva e de tantas pessoas que já passaram por ali.
Quase ninguém repara neles.
Estão sempre à espera de alguém.
Num mesmo dia, podem receber uma criança descansando depois de correr, um casal dividindo o silêncio, um idoso acompanhando o movimento da rua, alguém esperando uma ligação ou alguém tentando entender uma notícia que acabou de receber.
Quando uma pessoa vai embora, outra chega.
O banco permanece.
Ele não faz perguntas. Não escolhe quem se senta. Não guarda nomes. Apenas oferece um lugar para quem, por algum motivo, precisou parar.
Talvez por isso passe tão despercebido.
Vivemos olhando para os caminhos, quase nunca para os lugares onde é possível interromper a caminhada por alguns instantes.
No entanto, basta permanecer sentado por alguns minutos para perceber coisas que a pressa costuma esconder.
O vento movendo as folhas.
O barulho distante das crianças.
Os passos apressados de quem atravessa a praça.
Os pássaros que pousam sem se importar com o relógio.
A vida continua acontecendo, mesmo quando decidimos apenas observá-la.
Talvez seja por isso que alguns dos pensamentos mais importantes não apareçam enquanto corremos atrás deles.
Eles chegam quando, sem perceber, damos espaço ao silêncio.
Na próxima vez que passar por um banco de praça, talvez valha a pena diminuir o passo.
Sente-se por alguns minutos.
Depois siga seu caminho.
O banco continuará ali, esperando o próximo desconhecido.
E, sem dizer uma única palavra, continuará lembrando que até a vida mais apressada precisa, de vez em quando, de um lugar para descansar.
- Mar

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