Há portas completamente abertas.
Há portas completamente fechadas.
E há aquelas que permanecem apenas entreabertas.
São curiosas.
Não sabemos se alguém nos espera do outro lado ou se a porta apenas ficou assim por acaso.
Diante delas, quase sempre fazemos a mesma coisa.
Paramos.
Observamos.
Esperamos.
Às vezes chamamos alguém.
Outras vezes simplesmente seguimos adiante.
É curioso como uma porta entreaberta desperta mais dúvidas do que uma porta fechada.
A fechada parece dizer que não é o momento.
A aberta parece fazer um convite silencioso.
Mas a entreaberta deixa espaço para a imaginação.
Talvez exista alguém esperando.
Talvez não exista ninguém.
Talvez a resposta só apareça depois do primeiro passo.
Na vida, também encontramos portas assim.
Uma conversa que nunca começou.
Um projeto guardado há muito tempo.
Uma oportunidade que parece possível, mas não garantida.
Um sonho que continua esperando o momento perfeito.
Nem sempre o medo nasce da certeza de que algo dará errado.
Às vezes ele nasce justamente porque não sabemos o que existe do outro lado.
Por isso permanecemos onde estamos.
Esperando um convite.
Esperando um sinal.
Esperando que alguém abra completamente a porta.
Enquanto esperamos, o tempo passa.
E talvez algumas portas nunca tenham sido abertas por inteiro porque esperavam exatamente o contrário.
Que alguém tivesse coragem de empurrá-las delicadamente.
Talvez a vida não nos apresente apenas portas abertas ou fechadas.
Talvez ela também nos ofereça algumas entreabertas.
Não para nos deixar em dúvida.
Mas para nos lembrar de que certas oportunidades só revelam o que escondem depois que damos o primeiro passo.
- Mar

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